Resumo: Um kit completo de pulverização com drone custa entre R$ 216 mil e R$ 415 mil. Numa lavoura de 1.000 hectares de soja e milho safrinha, o custo por hectare aplicado fica entre R$ 15 e R$ 20 — abaixo do que se paga por aplicação terceirizada de avião na maior parte das situações. Mas o número que realmente decide não é esse. É o amassamento.
O cálculo que quase ninguém faz direito
A pergunta que mais recebemos na AgroMT é simples: "quanto tempo leva para o drone se pagar?"
A resposta honesta é que depende de variáveis que a maioria dos materiais promocionais esconde. Neste artigo abrimos a conta inteira — inclusive as partes que não favorecem o drone.
Todos os números são de agosto de 2026, praticados no Médio-Norte de Mato Grosso. Câmbio, diesel e formato de área mudam o resultado, e explicamos onde.
Premissas do cálculo
A lavoura
- 1.000 hectares
- Soja de verão + milho safrinha
- Produtividade de referência: 66 sacas/ha (média estadual recorde da safra 2024/25, segundo a Fundação MT)
O calendário de aplicações
| Cultura | Operação | Aplicações |
|---|---|---|
| Soja | Dessecação pré-plantio | 1 a 2 |
| Soja | Herbicida pós-emergência | 1 a 2 |
| Soja | Fungicidas | 4 a 6 |
| Soja | Inseticidas | 3 a 5 |
| Soja | Dessecação pré-colheita | 0 a 1 |
| Milho | Dessecação | 1 |
| Milho | Herbicida | 1 a 2 |
| Milho | Fungicidas | 1 a 2 |
| Milho | Inseticidas | 2 a 3 |
No cenário médio, são 19 passadas por ano. Em 1.000 hectares, isso significa 19.000 hectares aplicados por safra.
Esse é o número mais sensível de todo o cálculo. Com 14 passadas, o custo por hectare sobe cerca de 30%. Com 24, cai na mesma proporção. Antes de usar qualquer conta deste artigo, refaça-a com o seu calendário real.
O equipamento
Todos os valores citados são de kit completo em operação, não do drone isolado. Incluem:
- Aeronave, baterias e carregadores
- Estrutura de pulverização
- Gerador dimensionado para a operação (a diesel nos modelos T70P, T100 e T100 Bateria Dupla; a gasolina no T55 — mais adiante explicamos por quê)
- Misturador de calda de alta capacidade (600 L ou mais)
- Reservatório de água limpa
Kit T55 com estrutura Spad 75: aeronave, gerador a gasolina e misturador de calda
Não incluem o veículo de tração. Se a fazenda não dispõe de uma picape para deslocar a estrutura entre talhões, some de R$ 250 mil a R$ 300 mil ao investimento — um valor que, no caso dos modelos menores, chega a superar o próprio equipamento.
A estrutura Spad 200B
Além dos kits de aeronave única, existe uma configuração diferente: a Spad 200B, que opera duas aeronaves Agras T70P simultaneamente com um único piloto e um auxiliar (o "badeco"). É um kit completo — dois geradores, dois misturadores de calda, reservatório de água limpa e os dois conjuntos T70P — vendido como unidade fechada, por R$ 550.000.
Spad 200B: duas aeronaves T70P, um piloto e um auxiliar
A ideia central é dobrar a capacidade de voo sem dobrar a equipe. Voltamos a ela nas tabelas abaixo e, mais adiante, na seção sobre fazendas de grande escala.
Não comparamos a Spad 200B com o autopropelido nem com o avião neste artigo. Essa comparação — junto com o detalhamento completo do custo operacional dela nesses cenários — já está feita no artigo Pulverização com drone vs. convencional: 7 vantagens que mudam o cálculo. Aqui ela entra apenas nas tabelas de rendimento e custo por hectare, ao lado dos demais kits.
Sobre os valores de investimento
Os valores de kit usados neste artigo (R$ 216 mil a R$ 415 mil) foram arredondados para cima, com margem de segurança — são referências para o cálculo, não cotação fechada. Configuração, forma de pagamento e condições comerciais do momento mudam o número final. Na prática, ao orçar a configuração real para a sua operação, é comum o valor fechado ficar abaixo do usado aqui.
Rendimento operacional
Com faixa de aplicação de 10 metros e velocidade de 60 km/h, o ciclo de cada voo é: tempo pulverizando + 30 segundos de manobra, aceleração e deslocamento + tempo de reabastecimento e troca de bateria.
| Modelo | Vazão típica | ha/voo | Ciclo | ha/hora | ha/dia (10h) |
|---|---|---|---|---|---|
| Agras T55 | 8–12 L/ha | 4,75* | 6min15 | 45,6* | 456* |
| Agras T70P | 8–12 L/ha | 6,0 | 8min00 | 45,0 | 450 |
| Agras T100 | 15+ L/ha | 5,5 | 7min30 | 44,0 | 440 |
| Agras T100 Bateria Dupla | 10 L/ha | 9,0 | 11min30 | 47,0 | 470 |
| Spad 200B (2× T70P) | 8–12 L/ha | 6,0 por aeronave | 8min00 | 90,0** | 700** |
* O T55 chegou ao mercado brasileiro em agosto de 2026. Os valores são estimativa baseada em especificação de fábrica — a AgroMT ainda não possui operação medida em campo com este modelo.
** Rendimento por hora somado das duas aeronaves T70P voando em paralelo sob a mesma estrutura, com um único piloto e um auxiliar. Para ha/dia usamos 700 ha como base de cálculo — conservadora em relação à simples duplicação dos 450 ha/dia de um T70P avulso, já que coordenar duas aeronaves com uma equipe de duas pessoas tende a gerar mais tempo de solo entre voos. Na prática pode ser maior; usamos o número conservador de propósito.
O resultado surpreende: o rendimento é praticamente igual
Entre 44 e 47 hectares por hora. Uma variação de 6% entre o modelo de R$ 216 mil e o de R$ 415 mil.
Isso é matematicamente inevitável. Se todos voam à mesma velocidade com a mesma faixa, a área coberta por minuto de voo é idêntica. Tanque maior não significa voo mais rápido — significa menos paradas.
Se rendimento por hora fosse o único critério, o modelo mais barato ganharia sempre. Não é. A diferença de preço compra outras três coisas, e voltaremos a elas.
E uma ressalva importante: os 10 horas/dia da tabela representam o teto do equipamento, com jornada ininterrupta. Na lavoura entram vento que suspende a aplicação, deslocamento entre talhões distantes, espera de calda, almoço e imprevistos. Uma operação real costuma entregar entre 65% e 75% desse número. Use o teto para dimensionar o equipamento; use o realista para planejar a safra.
Custo operacional anual
Para 19.000 hectares aplicados por safra:
| T55 | T70P | T100 | T100 Bateria Dupla | Spad 200B (2× T70P) | |
|---|---|---|---|---|---|
| Investimento inicial | 216.000 | 305.000 | 350.000 | 415.000 | 550.000 |
| Equipe | 1 pessoa | 2 pessoas | 2 pessoas | 2 pessoas | 2 pessoas |
| Mão de obra (c/ encargos) | 142.800 | 184.800 | 184.800 | 184.800 | 184.800 |
| Combustível | 15.561 | 11.704 | 11.970 | 11.214 | 15.767 |
| Baterias (1.500 ciclos) | 66.667 | 52.778 | 57.576 | 70.370 | 52.778 |
| Hélices | 4.800 | 9.800 | 19.600 | 19.600 | 9.800 |
| Bicos centrífugos | 4.000 | 4.000 | 4.000 | 4.000 | 4.000 |
| Manutenção preventiva | 10.000 | 10.000 | 10.000 | 10.000 | 20.000 |
| Depreciação (5 anos) | 43.200 | 61.000 | 70.000 | 83.000 | 110.000 |
| Custo total/ano | 287.028 | 334.082 | 357.946 | 382.984 | 397.145 |
| Custo por hectare | R$ 15,11 | R$ 17,58 | R$ 18,84 | R$ 20,16 | R$ 20,90 |
Premissas: diesel a R$ 6,93/L (gasolina a R$ 6,79/L no T55 e na Spad 200B), encargos trabalhistas de 40% sobre o salário, baterias a R$ 25 mil com garantia de 1.500 ciclos, 3 a 4 trocas de hélice e 1 troca de bicos por safra.
Diferente dos demais modelos da tabela, que usam gerador a diesel, o kit do T55 é homologado com gerador a gasolina — um item de capital mais barato, entre R$ 15 mil e R$ 18 mil, contra os geradores a diesel de maior porte dos outros kits. Essa diferença já está embutida no investimento inicial de R$ 216.000 (estrutura Spad 75, cotada como valor fechado de R$ 86.000) e no custo de combustível da linha "Combustível" da tabela, que usa o preço da gasolina em vez do diesel. Não detalhamos o gerador como linha separada porque o valor do kit já foi arredondado para cima com folga suficiente para cobrir essa diferença — ver nota sobre os valores de investimento, no início do artigo.
Baterias, hélices e bicos são custos de desgaste — dependem do total de hectares pulverizados e do número de voos, não de quantas aeronaves fazem esse trabalho. Como a Spad 200B cobre os mesmos 19.000 ha/safra que um T70P avulso, esses itens saem praticamente iguais aos da coluna T70P. O combustível usa o mesmo consumo por gerador da Spad 75 (gasolina), mas em dobro — dois geradores rodando em paralelo pela metade do tempo, já que as duas aeronaves voam simultaneamente. A manutenção preventiva dobra porque são duas aeronaves físicas. E a mão de obra e o custo por voo não mudam: é a mesma equipe de 2 pessoas de um T70P avulso, só que operando duas aeronaves ao mesmo tempo.
Repare que, nesta escala de referência (1.000 ha), a Spad 200B sai com o maior custo por hectare da tabela — não porque seja ineficiente, mas porque uma fazenda de 1.000 ha já é bem atendida por um único T70P com 2 pessoas. A Spad 200B só se paga quando a área exige o dobro da capacidade de voo sem poder dobrar a equipe — é exatamente o cenário que aparece mais adiante, na seção sobre fazendas de grande escala.
A descoberta mais importante da tabela
Mão de obra é o maior custo de todos. Ela responde por mais da metade da conta — mais que bateria, depreciação e combustível somados.
Praticamente nenhum material sobre ROI de drone menciona isso. E é o item que mais muda o resultado.
É também o que explica a posição do T55 na tabela: por operar com uma única pessoa, ele economiza R$ 42 mil por ano em equipe, além de custar 29% menos que o T70P. Essa premissa precisa ser confirmada na sua operação — se o T55 exigir auxiliar, o custo sobe para cerca de R$ 17,30/ha e ele empata com o T70P.
Comparando com as alternativas
Contra o avião terceirizado
Aplicação aérea terceirizada: rendimento alto, mas depende de disponibilidade
Na nossa região, a aplicação aérea contratada custa entre R$ 20 e R$ 40 por hectare, dependendo do formato e do tamanho da área.
| Cenário | Economia anual vs. drone (T70P) | Payback |
|---|---|---|
| Avião a R$ 20/ha | R$ 45.918 | 6,6 anos |
| Avião a R$ 25/ha | R$ 140.918 | 2,2 anos |
| Avião a R$ 30/ha | R$ 235.918 | 1,3 ano |
| Avião a R$ 40/ha | R$ 425.918 | 8,6 meses |
Repare no primeiro cenário: a R$ 20/ha, o drone não se paga em prazo razoável. Se sua área é aberta, regular, de fácil aplicação — o tipo de talhão em que o avião cobra o preço mínimo — contratar sai mais barato que comprar.
A vantagem do drone aparece a partir de R$ 25–30/ha, que é justamente o preço de área recortada, talhão pequeno, contorno irregular e presença de obstáculo. É onde o avião é ineficiente e cobra por isso.
E há um fator que a tabela não captura: o avião terceirizado depende de disponibilidade. Em pico de ferrugem, quando toda a região precisa aplicar na mesma semana, você entra na fila. O drone está na fazenda, pronto, e a janela de aplicação é sua.
Contra o autopropelido próprio
Aqui entra o número que muda tudo — e ele não está no custo operacional.
O amassamento.
O rastro que não aparece em planilha de custo nenhuma
Pesquisas indicam que o trânsito dos equipamentos de pulverização pode reduzir a produtividade da soja em níveis entre 0,5% e 4%. Outras fontes apontam que o uso de equipamento inadequado pode causar perdas adicionais de até 5% por pisoteio.
Faça a conta na sua lavoura:
1.000 ha × 66 sacas/ha = 66.000 sacas
Perda de 2% = 1.320 sacas
A R$ 120/saca = R$ 158.400 por safra
Isso é mais que a diferença de custo operacional entre qualquer um dos cenários deste artigo. É o item de maior impacto financeiro da comparação, e ele não aparece em nenhuma planilha de custo de máquina — aparece na balança da colheita, diluído, sem que ninguém saiba de onde veio.
Onde o autopropelido continua ganhando: volume de aplicação por hora em área grande e aberta. Um autopropelido com barra de 36 metros pode chegar a cerca de 48 ha/h em boas condições — número comparável ao do drone. Mas com barra de 24 m e eficiência de campo de 70%, fica em torno de 20 ha/h.
O ponto não é substituir. É reconhecer que cada um tem seu terreno.
Qualidade de aplicação: o que a pesquisa mostra
Este é o tema mais mal explicado do mercado, e vale esclarecer com dado.
O erro de comparar volume de calda
Muitos estudos comparam a densidade de gotas depositada por drone (10 L/ha) contra autopropelido (100–150 L/ha) e concluem que o terrestre deposita mais. É verdade — mas é a métrica errada.
O drone aplica a mesma dose de ingrediente ativo em dez vezes menos água. A calda é muito mais concentrada. Contar gotas sem considerar a concentração compara coisas diferentes.
O que a Embrapa mediu
Pesquisa conduzida pelo pesquisador Samuel Roggia comparou drone (10 L/ha), pulverização tratorizada (36 e 80 L/ha) e costal (200 L/ha), usando a mesma dose de inseticida por hectare em todos os tratamentos e calculando o depósito a partir das diferentes concentrações de calda.
O resultado: a pulverização com drone proporcionou melhor depósito do inseticida no estrato inferior das plantas de soja. Nos estratos superior e médio, o depósito foi equivalente aos demais tratamentos.
O pesquisador explica o mecanismo: a combinação do espectro de gotas — ponta, pressão de trabalho e concentração do produto na calda — com o efeito do movimento das hélices (downwash) proporcionou maior penetração do inseticida no interior do dossel da soja, aumentando a eficiência de controle. O estudo aponta ainda que o drone alcança a praga em partes da planta normalmente não atingidas pelos métodos tradicionais.
Penetração da calda no estrato inferior do dossel, efeito do downwash das hélices
Esse é exatamente o ponto crítico da aplicação em soja fechada: o baixeiro, onde se abrigam percevejo e ferrugem.
Eficácia com volume baixo
Outros trabalhos confirmam que reduzir água não reduz controle:
- No controle do percevejo-marrom, a pulverização com drone a 10 L/ha apresentou desempenho equivalente ao trator a 36 e 80 L/ha e ao costal a 200 L/ha. Os autores destacam que o desempenho não depende do volume de calda, mas da combinação adequada de ponta e pressão de trabalho, além de condições ambientais favoráveis.
- Em herbicidas, glifosato e glufosinato mostraram eficiência sobre azevém independentemente do método. A aplicação com drone a 10 L/ha foi tão eficiente quanto as demais.
A ressalva que os pesquisadores fazem — e nós repetimos
O drone trabalha com volume de calda significativamente menor, o que exige maior cuidado com as condições climáticas e ambientais no momento da aplicação. Vento, temperatura e umidade relativa pesam mais na aplicação com drone do que na terrestre.
Aplicação com drone não é aplicação sem critério. É aplicação com outro critério.
Quando o drone NÃO compensa
Nenhuma tecnologia serve para tudo. Somos concessionária DJI e ainda assim há cenários em que não recomendamos a compra:
Fazendas muito grandes que já aplicam com avião. Um único T70P entrega cerca de 450 ha/dia. Numa fazenda de 5.000 hectares, cobrir uma passada só com esse rendimento exigiria dias fora de qualquer janela de aplicação razoável — daí a tentação de descartar o drone de cara nessa escala. Mas a resposta certa não é "não dá", é "não dá com um drone avulso". É aí que a Spad 200B muda a conta.
Fazenda de 5.000 hectares: escala onde a conta muda
Refazendo a conta na escala de 5.000 hectares. Duas Spad 200B cobrem a mesma capacidade de voo de quatro T70P avulsos, com metade da equipe: 4 pessoas em vez de 8. Com o mesmo calendário de 19 passadas por ano, uma fazenda de 5.000 ha aplica 95.000 hectares por safra — 5× o volume usado no cálculo-base deste artigo. Refizemos a tabela de custo operacional nessa escala, escalando os itens de desgaste (combustível, baterias, hélices, bicos) proporcionalmente ao hectare aplicado e mantendo fixos mão de obra e depreciação por unidade:
| Spad 200B × 2 (95.000 ha/safra) | |
|---|---|
| Investimento total | R$ 1.100.000 |
| Equipe | 4 pessoas (2 pilotos + 2 auxiliares) |
| Mão de obra (c/ encargos) | R$ 369.600 |
| Combustível | R$ 78.835 |
| Baterias | R$ 263.890 |
| Hélices | R$ 49.000 |
| Bicos centrífugos | R$ 20.000 |
| Manutenção preventiva | R$ 100.000 |
| Depreciação (5 anos) | R$ 220.000 |
| Custo total/ano | R$ 1.101.325 |
| Custo por hectare | R$ 11,59 |
O motivo do custo por hectare cair de R$ 20,90 (na referência de 1.000 ha) para R$ 11,59 nessa escala é simples: mão de obra e depreciação são custos fixos por equipe/estrutura, não por hectare. Na fazenda de 1.000 ha, esses fixos se diluíam em 19.000 ha. Na de 5.000 ha, se diluem em 95.000 ha — a mesma equipe de 2 pessoas por unidade agora rende 5× mais hectare aplicado por real gasto em salário.
Comparando com o avião terceirizado nas mesmas 95.000 ha/safra:
| Cenário | Avião (95.000 ha) | Economia anual vs. Spad 200B × 2 | Payback (investimento R$ 1,1 mi) |
|---|---|---|---|
| Avião a R$ 20/ha | R$ 1.900.000 | R$ 798.675 | ~1,4 ano |
| Avião a R$ 25/ha | R$ 2.375.000 | R$ 1.273.675 | ~10,4 meses |
| Avião a R$ 30/ha | R$ 2.850.000 | R$ 1.748.675 | ~7,5 meses |
| Avião a R$ 40/ha | R$ 3.800.000 | R$ 2.698.675 | ~4,9 meses |
Isso muda a conclusão da versão anterior deste artigo. Na referência de 1.000 ha, o avião a R$ 20/ha (talhão aberto, fácil aplicação) não compensava trocar por drone em prazo razoável. Na escala de 5.000 ha com duas Spad 200B, o mesmo avião a R$ 20/ha já perde: o investimento se paga em cerca de 1,4 ano, e em qualquer preço acima disso o payback cai para menos de um ano.
O que o avião ainda ganha, e não é pouco, é velocidade e simplicidade logística. No teto de equipamento (1.400 ha/dia somando as duas Spad 200B), uma passada nos 5.000 ha leva cerca de 3,6 dias; no rendimento realista de 65–75% do teto, fica entre 4,8 e 5,5 dias — ainda dentro de uma janela de aplicação típica, mas não no mesmo dia que um avião normalmente entrega. Gerenciar duas estruturas grandes, 4 aeronaves, 4 geradores e 4 pessoas em campo também é uma operação mais complexa do que contratar um voo. Com bom planejamento operacional — rotas bem definidas, troca de bateria cronometrada, calda pronta antes do pouso — essa diferença de tempo é administrável; sem planejamento, ela é onde a conta some. O comparativo completo da Spad 200B contra avião e autopropelido, incluindo outros cenários de escala, está no artigo Pulverização com drone vs. convencional: 7 vantagens que mudam o cálculo.
Como substituto integral em calendário de volume alto. Se boa parte das suas aplicações exige 100 L/ha ou mais, o autopropelido continua sendo a ferramenta certa para essas passadas. O drone cobre a faixa de 8 a 15 L/ha, que é a maioria do calendário — mas não é toda ela.
Área muito pequena sem nenhuma estrutura própria. Abaixo de algumas centenas de hectares, sem equipamento nenhum na fazenda, a conta é de terceirização e ela segue outra lógica.
Fora esses casos, a pergunta relevante deixa de ser "vale a pena?" e passa a ser "qual modelo?".
O cenário mais favorável: fazenda que já tem autopropelido
Aqui está o ponto que praticamente nenhum material sobre drone menciona, e é onde o retorno é maior.
Uma fazenda de 600 a 1.500 hectares que já pulveriza com autopropelido próprio tem, hoje, uma máquina de R$ 1 a 2 milhões no pátio, um operador e um caldista na folha — e uma perda por amassamento que ninguém contabiliza.
Testar o drone ao lado do autopropelido, não substituí-lo de cara
Compare:
| Autopropelido | Drone (T70P) | |
|---|---|---|
| Investimento | R$ 1.000.000 – 2.000.000 | R$ 305.000 |
| Depreciação anual (5 anos) | R$ 200.000 – 400.000 | R$ 61.000 |
| Equipe | operador + caldista | piloto + auxiliar |
| Rendimento | ~48 ha/h (barra 36 m) | 45 ha/h |
| Amassamento | 0,5% a 4% | zero |
O rendimento é praticamente o mesmo. O investimento é um terço. Só a depreciação anual do autopropelido já supera todo o custo operacional do drone.
E ainda falta o amassamento. Numa fazenda de 600 hectares a 66 sacas, uma perda de 2% são 792 sacas por safra — cerca de R$ 95 mil (a R$ 120/saca). Todo ano. Sem aparecer em planilha nenhuma, porque a perda não é lançada como custo: ela simplesmente não chega na balança.
O caminho que recomendamos
Não sugerimos vender o autopropelido para comprar drone. Sugerimos testar o drone em parte da área na próxima safra e comparar os dois com os seus próprios números — rendimento, custo por hectare, e sobretudo a produtividade dos talhões aplicados de cada forma.
É um teste de baixo risco: o autopropelido continua lá. E o resultado da comparação será o seu, não o nosso.
Resumo da decisão
| Seu cenário | Recomendação |
|---|---|
| Talhão aberto, vazão 8–12 L/ha | T70P ou T55 |
| Vazão alta (15 L/ha ou mais) | T100 |
| Obstáculo, relevo quebrado, área de risco | T100 |
| Grande escala com vazão baixa | T100 Bateria Dupla |
| Precisa dobrar a capacidade de voo sem dobrar a equipe | Spad 200B |
| Menos de 600 ha próprios | Kit mais enxuto (ver nota abaixo) |
Menos de 600 hectares próprios? Os números deste artigo foram calculados para operações maiores, mas isso não significa que o drone fique fora do orçamento de fazendas menores. Vale avaliar um kit mais enxuto — gerador de menor potência, misturador de calda menor e estrutura de pulverização mais simples — ou até reaproveitar equipamentos que já existem na propriedade. Isso reduz o investimento inicial e o custo operacional, encaixando melhor no orçamento de operações pequenas. A DJI também tem o Agras T25P, modelo voltado justamente para operações menores, que não entrou neste comparativo porque o artigo focou em cenários de maior escala.
Faça a conta com os seus números
Todas as premissas deste artigo estão abertas justamente para você refazê-las. Troque o número de passadas, o preço do diesel, o valor da saca — e veja onde chega.
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Agro MT Drones — Concessionária Autorizada DJI Agriculture em Mato Grosso. Campo Novo do Parecis, Sinop, Sorriso e Rondonópolis.
Fontes:
Embrapa Soja — Drones são capazes de melhorar pulverização para controle de pragas da soja. Pesquisador Samuel Roggia.
Fundação MT — Safra 2024/25 de soja em Mato Grosso, produtividade média de 66,3 sacas/ha.
Sindag — Pulverizadores: por terra ou por ar? Perdas por amassamento em soja.
Revista Cultivar — Pulverizador agrícola: por que investir em autopropelidos? Capacidade operacional.
SBCPD — Aplicação de herbicidas com drones em comparação com sistemas de pulverização terrestre.
Valores de equipamento, insumos e combustível referentes a agosto de 2026, praticados no Médio-Norte de Mato Grosso. Sujeitos a variação — ver nota sobre os valores de investimento, no início do artigo.
A Agro MT Drones é concessionária autorizada DJI Agriculture em Campo Novo do Parecis. Monte a configuração no nosso simulador e receba um orçamento completo, ou fale direto com um especialista no WhatsApp.